quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A HISTÓRIA DA ILUMINAÇÃO CÊNICA




" Light, seeking light, doth light of light beguile;
So ere you find where light in darkness lies,
Your light grows dark by losing of your eyes.”

 William Shakespeare


Desde o ano passado venho desenvolvendo um trabalho de pesquisa em torno da iluminação cênica. Este trabalho de cunho acadêmico está sendo orientado pelo iluminador e professor Jorge Carvalho Moreira e procura investigar as possibilidades da iluminação cênica em torno das exposições museográficas em museus, salas ou espaços especificamente preparados para esse fim nos centros culturais da cidade do Rio de Janeiro. Resolvi compartilhar com vocês do blog um pouco desta pesquisa.
            A parte que me cabe neste trabalho é fazer um levantamento da história da iluminação cênica. Afinal existem poucos estudos sobre este assunto e precisamos saber de onde surgiu esta preocupação com a luz no que diz respeito à construção de uma linguagem cenográfica da luz. E aqui no blog espero dar uma contribuição no sentido de ampliarmos nosso pensamento sobre a iluminação cênica também através do viés histórico, afinal como disse o historiador francês Marc Bloch, para compreendermos o presente, devemos estudar o passado.  Em um primeiro momento minha pesquisa esteve direcionada para a obtenção de material teórico para adquirir o conhecimento necessário a respeito da historiografia da iluminação cênica. Esse primeiro passo mostrou-se extremamente importante para que entendêssemos as mudanças tecnológicas através dos tempos.
Os primeiros estudos a respeito da historiografia da iluminação cênica, apontam o teatro grego como sendo o precursor na questão. Neste teatro a iluminação é exclusivamente natural. As peças em sua grande maioria eram apresentadas a luz do dia, ao nascer do sol e as vezes avançavam a noite. As edificações eram construídas de acordo com a posição do sol, isto é, havia uma grande preocupação para que a construção destes espaços obtivesse um aproveitamento máximo da luz solar. Durante a Idade Média (476 – 1492 dC.), o teatro estava quase que exclusivamente voltado para os dramas litúrgicos e a iluminação era favorecida pelos vitrais das igrejas. Posteriormente, quando as apresentações passaram a ser apresentadas também ao ar livre, em praças públicas ou nos adros das igrejas, a iluminação por meio da luz solar, mais uma vez volta a ser o principal sistema. Outras representações, como comédias satíricas e apresentações circenses, que eram executadas em tavernas e castelos, eram iluminadas com tochas e archotes. A partir do séc. XVI o teatro passou a ser representado também dentro de espaços fechados. Estes teatros possuíam amplas janelas para entrada de iluminação solar, que eram abertas nas apresentações vespertinas. Nas apresentações noturnas muitas velas garantiam precariamente a visibilidade. A vela foi durante muito tempo o único sistema de iluminação que os teatros possuíam. Durante os séculos XVII e XVIII surgem os candelabros que passam a ser usados com maior freqüência. Em geral, estes artefatos eram enormes e iluminavam tanto o palco quanto a platéia. Os encenadores ainda não conheciam a iluminação como linguagem e as pessoas que freqüentavam os teatros, muitas vezes, iam para serem observadas e não para observar. No início do séc. XVIII foram feitos alguns experimentos utilizando-se sebo na fabricação de velas, porém tal experiência acabou não obtendo êxito  devido ao mal cheiro exalado e problemas de irritação nos olhos dos espectadores e dos atores. Em 1783, Ami Argand cria um tipo de lampião a óleo menos bruxuleante, os famosos lampiões Argand. Em seguida veio o lampião Astral francês, criado por Bernard Carcel, produzindo uma luz mais constante. Os lampiões eram bastante inconvenientes, pois além de sujar o teto, as cortinas e os estofados, corria-se o risco de pingar gotas de azeite na cabeça dos artistas e do público. Nos EUA usava-se o óleo de baleia, na Europa experimentou-se o colza ( um óleo extraído de um tipo de nabo) e a terebentina destilada. A grande desvantagem na utilização deste tipo de equipamento era o perigo constante dos incêndios e a iluminação, além de fraca e bruxuleante, não podia ser controlada. Neste mesmo período, paralelamente à pesquisa de fontes combustíveis, iniciou-se também a preocupação com a posição das fontes de luz. Iniciam-se também as primeiras tentativas de ocultar as fontes de luz. Surgem então, as primeiras noções de ribalta, arandelas, contra-luzes e luzes laterais. A partir do século XIX o gás começa a ser utilizado como combustível para os sistemas de iluminação. Os primeiros registros de sua utilização em teatros datam de 1803, mais especificamente no Lyceum Theatre de Londres. Neste mesmo período aparecem as primeiras mesas de controle de luz. Em 1879, Thomas Alva Edson fabrica as primeiras lâmpadas de incandescência com filamento de carbono. É o surgimento da era da eletricidade, que passa a ser amplamente empregada no teatro a partir da segunda metade do século XIX.  Com a eletricidade em uso no teatro, começam a surgir os primeiros movimentos em relação à uma utilização da luz como forma de linguagem artística. A luz agora passa a respeitar e a servir às estruturas e os objetivos da cena. A partir desta nova estética proposta pela luz, pode-se perceber uma separação nítida entre palco e platéia. A luz agora passa ao status de participante do espetáculo e não mais um mero suporte. A iluminação integra-se à cenografia e passa a auxiliar a representação da realidade, sugerindo impressões e buscando revelar a materialidade e o significado das coisas. A luz elétrica provocou mudanças nos conceitos da cenografia e do figurino, alterando definitivamente o aspecto visual dos espetáculos. O cenário pictórico é substituído pelo cenário construído (objetos reais, portas, móveis, paredes, etc.). A partir do século XX começam a se desenvolver equipamentos de iluminação especialmente preparados para a iluminação teatral. Com estes equipamentos temos a possibilidade de alterar as formas por meio de sua focagem e regular a intensidade da luz.
Por hora é isso, vou parando por aqui pra não me estender mais. Até o próximo post!



*Luz, procurando a luz, a luz do acaso, a sedução da luz;
Mas, antes que você descubra onde está a luz na escuridão,
Sua luz escurece com a perda de seus olhos.

2 comentários:

  1. Aurelio...

    Parabéns pela pesquisa!!
    Também pesquiso, mas sem interesses acadêmicos.. quando fizer um curso "intensivão", favor avisar...

    Deixo meu contato:
    alessandroazuos@yahoo.com.br
    http://alessandroazuos.blogspot.com/

    Abraços.. e muita luz...

    ALESSANDRO AZUOS

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